janelas

OUTONO*


Há um silêncio cúmplice de outros silêncios que nos diz da pequenez dos dias, das primeiras chuvas ou dos rebanhos retardatários a povoarem o redil já depois das primeiras estrelas.

Restos de um Verão tardio resistem nas encostas.

A tarde caminha para a noite no lento cair do crepúsculo.
E Setembro é o vinhateiro do último mosto, pastor de socalcos, guarda o roxo, o vermelho e o amarelo das vides. É lento o amadurar do vinho.

É lento o declinar dos dias e o fogo na lareira já acalenta a noite.


*Eduardo Bento, poeta torrejano,
in O Nevoeiro dos Dias, Ponte Editora, 2009, p. 10 (lançado hoje na Biblioteca Municipal de Torres Novas, numa cerimónia muito bonita, à qual tive a sorte de assistir).

2 comentários:

Anónimo disse...

Bento foi meu professor, de filosofia, foi e é um professor MAIOR, daqueles que nos abrem portas e revelam sonhos. Caminharei sempre a teu lado professor.
PR

marga disse...

um professor memorável, uma pessoa única.