janelas

inquietação

Caros amigos,
façam o favor de me esclarecer.
Considero que não escrevo mal de todo; porém tenho sempre esta inquietação:
Para dizer que alguma coisa é demasiada ou em muita quantidade diz-se (ou antes, escreve-se) que é, ou são "de mais" ou dir-se-á "demais"?
É que, para significar demasiado já tenho lido, em bons autores (na Agustina, por exemplo) e em boas traduções, a palavra demais.

Ora, para mim, demais, é isto que está em baixo (tirei da infopédia):
advérbio
além disso; de resto
determinante e pronome demonstrativo
outros, outras; restantes;
demais a mais ainda por cima.


Em que circunstância poderei usar "de mais" e quando é que posso usar "demais"?

Por exemplo, escreve-se que foi tarde demais, ou tarde de mais?

Sinto-me um pouco confusa...!

Mas ainda não fui ao ciberdúvidas.

8 comentários:

Ivone Costa disse...

Margarida

Salvo melhor opinião, "demais" traduz a ideia de modo e não a de quantidade."De mais" já exprime a ideia de quantificação ou de quantidade.

Tout court, eu diria que deve usar "demais" sempre que o possa substituir por uma palavra invariável, e.g. "É tarde demais" porque quer dizer:"É demasiadamente tarde".

Porém, se fez um bolo muito doce, e como se preocupa com a saúde do seu PR, pensará: "Este bolo tem açúcar de mais." porque aqui deixou de usar uma palavra invariável e passou a usar um quantificador.

Mas repare,o assunto não se esgota assim,de uma penada,e, mais uma vez digo: este é o meu parecer, muito formatadinho pela escola de Coimbra.

Ivone

marteodora disse...

Ivone,
obrigada pelo seu parecer.
É uma excelente ajuda ;)
Bjs,
Margarida.

Anónimo disse...

Obrigado, pela referência. Já consigo visitar o vosso Blogue
Mas não sei entrar a comentar.
Não sei de quem é a dúvida entre demais e de mais.
Demais emprega-se quando significa além disso,
( Não me apetece sair; demais está a chover)
De mais emprega-se com o significado de quantidade.
(A fruta é de mais para as nossas necessidades)
Vou ser um frequentador do vosso blogue.
Cumprimentos
Eduardo Bento

marteodora disse...

Fui eu que coloquei o comentário do Professor Eduardo aqui, a partir do mail que ele me enviou.
Espero que ele não m leve a mal.

E, Professor, exactamente era essa a minha dúvida, uma vez que sempre usei o "de mais" para me referir a quantidade, contudo ja percebi que nem sempre será assim.

Obrigada pelo seu contributopara a minha "inquietação", obrigada por visitar aqui o blogue e bom resto de fim-de-semana!,

Margarida.

Ivone Costa disse...

Margarida

Parece-me que dizer, como Eduardo Bento: "Demais emprega-se quando significa além disso" é restringir excessivamente a utilização da expressão. Claro que "demais" significa também "além disso", como,também, significa muitas outras coisas. Porém, a afirmação de que "demais" se utiliza quando se quer significar "além disso" e, pronto, assunto resolvido, parece-me pouco.
Se os poetas vêem o mundo com outros olhos, também com outros olhos verão a gramática e, quem sabe esse será um puro olhar, enquanto o meu tenta ser, apenas, um olhar puro, ou, pelo menos depurado.

Margarida, como este comentário já está demasiado longo, por ter palavras de mais e eu não quero cansá-la demais, posso, se quiser, mandar-lhe bibliografia sobre o assunto. Sinta-se à vontade, também, para me mandar dar uma volta.

Beijinhos

Ivone

marteodora disse...

Ivone,
em primeiro lugar, obrigada pela preocupação.
Confesso que ainda não fui procurar outras fontes, mas não sendo também completamente ignorante no assunto, a sua primeira explicação foi logo ao encontro daquilo que eu pensava como certo. Ou seja, eu diria sempre "O joão, os colegas e demais espectadores assistiram ao concerto...". No entanto, como já expliquei, diria sempre que "hoje, acordei tarde de mais". Contudo, já percebi que, neste caso, tarde é uma palavra invariavel, tal como "demasiadamente cedo" e por aí fora.
Sinceramente, e pode contar com isso, se um dia destes precisar mesmo de outros esclarecimentos, pedir-lhe-ei ajuda e conselhos bibliográficos. Não tenho qualquer problema com isso. Detesto sentir-me constrangida por estas "nquietações".
Já percebi, também, que, nestas matérias ninguém se atreve muito a dar esclarecimentos (não devo, certamente, ser a única com estas "inquietações" (serei?) e, por isso,agradeço ao professor Eduardo a ajuda que quis dar.
Obrigada pela disponibilidade,
Beijinho para si.
Margarida.

Anónimo disse...

A Ivone tem razão , por isso já nem sou tentado a responder ...

marteodora disse...

Caro anónimo,
em todo o caso,
obrigada!