janelas

Ontem à noite

Sony A 700; 1/100S; 11.0f; ISO 200; Zoom Sigma DC a 52 mm

Ontem à noite.
Ontem à noite jantámos com um grupo de amigos;
Ontem à noite lemos poesia a uma, duas, três e quatro vozes;
Ontem à noite, num gesto de absoluto desprendimento, o Eduardo presenteou os seus amigos com o seu último livro de poesia, edição acompanhada de fotografias, a preto e banco, da parte feminina deste blogue – a melhor parte dele, diga-se.

Ontem à noite fomos melhores pessoas, entes mais ricos e afortunados.

urban landscape (TN - XIII)

Sony A 700; 1/125s; 8.0f; ISO 200; Zoom Minolta xi 67 mm

AHEAD, PLEASE!

urban landscape (TN - III)

Sony A 700; 1/30s; 20.0; ISO 200; Zoom Minolta xi a 24 mm

A CORRENTE

Por causa da IVONE que me atribuiu este prémio, o qual muito agradeço,
vou fazer o que prometi e revelar, aqui, sete factos da minha vida. Podiam ser outros, mas foi destes que me fui lembrando, à medida que me convencia a levar por diante esta tarefa, que até foi divertida.



1 - O meu nome (origem e trauma de infância)
Há quem pense que o meu apelido é Teodora. Não é. O meu apelido é Trindade.
Teodora é o meu segundo nome.
Porém, sou Margarida Teodora, mas poderia chamar-me Margarida Teodoro.
Passo a explicar.
Os dois primeiros nomes da mãe do meu pai (minha homónima) eram Margarida Teodora. O nome do pai da minha mãe era Manuel Teodoro, mas, neste caso, o Teodoro era apelido. Assim, a minha mãe e os meus tios maternos têm Teodoro como apelido.
Quando nasci, os meus pais decidiram dar-me o nome da minha avó paterna, já falecida, à época.
Chamaram-me Margarida Teodora…Trindade. Já a minha irmã, mais nova, portanto, tem Teodoro como um dos apelidos. Eu sou Teodora e ela é Teodoro!

 Pois, tenho trauma. As minhas amigas, desde o jardim-escola, eram Sandras, Carlas, Paulas, Anas, Magdas e assim, nomes da moda. Eu era Teodora! E as educadoras e as freiras faziam questão de o sublinhar...

2 - A vida e a morte

Em 2003, aquilo que julguei que seria uma simples operação à vesícula transformou-se no maior susto da vida daqueles que me eram próximos e no maior susto de morte para mim.
Cá dentro das minhas entranhas, um minúsculo vaso sanguíneo esteve a deixar correr o meu sangue, no pós-operatório, durante muitas horas, até que uma paragem cardio-respiratória me levou novamente para o bloco de operações para corrigir a situação e abrir no meu abdómen perfeito de então um enorme fecho eclair.
O medo de morrer apoderou-se de mim nas horas seguintes. Já não tinha medo de morrer de hemorragia, tinha medo de morrer de embolia e, até aos dias hoje, por circunstâncias que para o caso não interessa referir, (embora bem melhor que há um par de anos) a morte é presença constante nos meus pensamentos diários.
O fecho eclair ainda cá está, mas já quase não se nota (maravilhas do colagéneo feminino). Posso calcular a inveja que Filipe II não teria dele se por cá andasse.

3 - Os cheiros
Quem me conhece sabe da minha íntima relação com os odores. A minha apetência para detectar cheiros pode irritar quem não esteja disposto a aturar preciosismos do género: "Não te cheira a nada?"
Consigo recordar-me dos acontecimentos mais longínquos só pela memória de um perfume usado à época e sei sempre se já usei um perfume que alguém que passe ao meu lado use.
Lembro-me perfeitamente do rasto do Poison deixado nos corredores do liceu pela minha professora de alemão, no secundário.
 E o cheiro é um grande afrodisíaco, toda a gente sabe. Se se gosta de um homem, gosta-se do cheiro. E não é a cavalo, certamente.

4 - Borboletas
Tenho um medo de borboletas que me pelo. Cheguei a atirar (sem querer, é óbvio) uma revista pela janela de um 10.º andar, quando morava em Lisboa, só para me ver livre de uma intrusa primaveril.
Faz-me confusão aquela coisa da metamorfose, da lagarta, do casulo…ODEIO.
Arrepia-me só de pensar que uma borboleta se agarra ao meu cabelo.
Um dia, tinha o meu filho uns três meses, fui estender roupa já era lusco-fusco. Quando fechei a janela e  entro no corredor da casa, estava uma borboleta preta a esvoaçar por lá.
Entrei logo para o quarto com o carrinho de bebé. Fechei a porta e mandei um sms ao meu marido: "Estamos no quarto. Há uma borbotela em casa." Só saí do quarto quando ele chegou!


5 - Outros medos
Dantes não gostava de elevadores. Tive, durante muito tempo, um sonho recorrente. Estava sempre num elevador e, de repente, aquilo desprendia-se. Acordava sempre durante a queda e não chegava a morrer. Penso que já ultrapassei esse medo.
Mas, há mais.
Sou dada à hipocondria. Sou. Pronto, já disse. Nada mais a acrescentar.
Por ter medo de andar de avião, já perdi oportunidades óptimas de viajar para casa de amigos, do outro lado do Atlântico.
Tenho um medo doentio de viajar de carro, sobretudo em auto-estradas. Transpiro, tenho taquicardia, sofro e encolho-me para não transtornar o condutor. Com amigos mais chegados, aviso, logo à entrada, que não quero grande velocidade. E, por mais de uma vez, já chamei a atenção a motoristas por causa disto. Olham-me de lado e resmungam, mas isso não me interessa.
Uma vez, fomos com uns amigos a um concerto. Tive vergonha desta fraqueza e voei a 200 para Lisboa. Foi a pior viagem que já fiz e também a mais rápida. Não vi quase nada. Fui praticamente todo o caminho de olhos fechados.
Porém, creio que tenho vindo a melhorar. E ainda não fiz psicoterapia! Também não está fora de hipótese!

6 - Limitações
Custa-me lidar com  pessoas que, de tão convencidas e cheias de si mesmas, não conseguem ouvir os outros (há uns personagens típicos do género, na literatura). Aquele tipo de gente de tal modo egocêntrica ao ponto de a sua limitação intelectual não lhes permitir ter sentido de autocrítica, de forma a conseguirem identificar no seu comportamento sinais,  tais como: «sou um/a grande "melga" tenho de moderar isto» ou «sou um/a grande convencido/a; tenho um ego do tamanho da Amazónia, admito»; ou do género «posso ter um ego do tamanho da Amazónia, não há mal nenhum nisso, mas sei que, afinal, há para aí muita gente tão boa ou melhor que eu».
E o que me irrita mesmo é a não admissão da coisa. Estes personagens acham sempre (e em simultâneo) que, por um lado, são muito bonzinhos; por outro, que ninguém se mete com eles porque eles são muito mais espertos que os demais.
Normalmente, esta gente é do mais superficial que há, convencida que tem tiradas e pensamentos muito profundos.

7 - Livros, música e fotografia
Estão entre o equilíbrio e o desequilíbrio.
Há épocas em que não lhes toco.
Há outras em que consumo ambos (livros e música) de forma obsessiva e ando com a máquina para todo o lado.
Nunca escrevi um livro, mas já escrevi partes.
Gostaria de saber tocar um instrumento musical, mas não sei! Hei-de aprender.


Não sei se tenho muitas gralhas no texto, pois a esta hora já não consigo vê-las.
Não sou grande consultora de blogues de cariz mais pessoal e não vou largar esta tarefa divertida em blogues de gente com quem raramente me cruzo.
Contudo, para que a corrente não fique por aqui, entrego à Marga, do Beat, a continuação da corrente e o alimento da nossa curiosidade.