janelas

Foi no silêncio

 
EM SILÊNCIO, O GRITO

Onde ouviste esse grito que morre contra
as paredes, que atravessa os quartos mais fechados,
que não sai por janelas ou frestas, e que
rasga a garganta de quem o sonhou? Foi
no silêncio de uma tarde, sob o calor
de um céu sem horizonte nem pássaros? Ou
no escuro da noite, quando as estrelas
se apagam nos teus olhos e só um gemido
distante ecoa na treva? Mas é dentro de ti
que o ouves, e onde quer que estejas,
tapando os ouvidos para que o mundo
não venha ter contigo, ou fechando
os olhos para que nenhuma imagem
te distraia, levá-los-ás na tua cabeça,
em tudo o que pensas, mesmo que não
saibas já de onde vem, porque nasceu,
nem porque tens de ser tu a ouvi-lo,
de lábios fechados para que não o grites.

Nuno Júdice
Fórmulas de uma luz inexplicável
 

4 comentários:

Maria de Sousa Pinto disse...

Dependendo do olhar de quem vê, quem observa!...
Tanto pode ser um espaço limitado, por mais amplos que sejam os horizontes, como um mundo repleto de colorido, de sensações que vão muito além dos sentidos, muito embora o campo visual seja exíguo!...

Maria de Sousa Pinto disse...

Depende do olhar de quem vê, quem observa! Tanto pode ser uma visão limita por mais amplos que sejam os horizontes, como uma imagem colorida, repleta de sensações que vão muito além dos sentidos, por mais exíguo que seja o campo visual!...

Maria de Sousa Pinto disse...

Não estava visível o belo poema quando fiz o comentário anterior!
Acrescentarei, agora, que há silêncios que valem por mil palavras!Há gritos calados que saem do fundo da alma, que sufocamos para não dilacerar ainda mais a nossa mas também a outra/s alma/s! Há gritos desesperados que ecoam em nossas mentes, que ferem nossos ouvidos, que tecem um nó na garganta e em silêncio o vamos "ouvindo"!...

marteodora disse...

Caríssima Maria de Sousa Pinto, preparando o dia mundial da poesia (no próximo mês) deparei-me com este poema do Nuno Júdice. Coloquei-o aqui.
Para mim, faz sentido assim.